Em Teixeira de Freitas, a política deixou de ser apenas administração pública e passou a flertar com o absurdo. A sucessão de CPIs contra o prefeito Marcelo Belitardo não surgiu do nada — nasceu da ausência de respostas.
E aqui vai o ponto central: quando um gestor público evita esclarecer questões fundamentais, ele próprio alimenta o ambiente de suspeita. Não é a oposição que cria o problema — é o silêncio que amplia.
Os exemplos são claros. Recursos da saúde sob questionamento. Contratos pouco transparentes. Um instituto cercado de dúvidas. E, sempre que surge uma pergunta direta, a resposta vem carregada de rodeios. Não é comunicação — é fuga.
Isso gera consequências reais. A população depende de serviços públicos que precisam funcionar. Quando há dúvidas sobre o uso do dinheiro, o impacto não é abstrato — é sentido no posto de saúde, na coleta de lixo, no atendimento básico.
Aliás, o caso do lixo virou símbolo. Serviço que não convence, recursos que não se explicam e uma sensação crescente de abandono. A ironia popular resume bem: o lixo ficou — e a confiança foi embora.
Outro elemento preocupante é a tensão com órgãos de fiscalização, como o Conselho Tutelar. Questionar não é atacar — é cumprir função. Quando isso incomoda, o problema não está na pergunta.
Há quem critique a CPI, dizendo que ela politiza a gestão. Mas a verdade é outra: a CPI surge justamente quando a gestão falha em ser transparente. É consequência, não causa.
Defender a investigação é defender o cidadão. É garantir que o dinheiro público tenha destino claro. É exigir que o prefeito faça o básico: responder.
Porque, no fim das contas, não é a Câmara que precisa se explicar.
É quem está no poder.
Por Redação
