A Bahia é um dos maiores patrimônios culturais do Brasil. Suas festas populares, seus artistas, suas tradições e sua capacidade de atrair milhões de visitantes todos os anos transformaram o turismo em um dos principais motores da economia estadual. Por isso, as denúncias de um esquema de superfaturamento de cachês pagos com recursos públicos representam algo muito mais grave do que um simples problema administrativo: representam uma traição à confiança da população baiana.
Segundo a investigação divulgada pela imprensa, produtoras teriam utilizado artistas de pouca expressão para justificar pagamentos públicos muito superiores aos valores efetivamente praticados no mercado. Enquanto apresentações simples custariam poucos milhares de reais, contratos bancados pelo poder público chegariam a dezenas de milhares de reais. Em alguns casos, conforme relatos apresentados na apuração, pequenas bandas fariam apresentações rápidas apenas para registrar fotos e vídeos que servissem como comprovação formal dos eventos.
Se essas acusações forem comprovadas pelas autoridades competentes, estaremos diante de um mecanismo que transformou recursos destinados ao turismo em uma fonte de enriquecimento para intermediários. O mais revoltante é que o dinheiro utilizado não pertence a governos ou gestores. Trata-se de dinheiro do contribuinte, arrecadado por meio de impostos pagos por trabalhadores, comerciantes e empresários.
O turismo precisa de investimento público. Essa é uma verdade incontestável. Grandes eventos movimentam hotéis, restaurantes, pousadas, transportes e o comércio em geral. O problema não está no investimento. O problema está quando alguém utiliza o discurso da promoção turística para esconder desperdício, favorecimento ou corrupção.
As denúncias indicam ainda que empresas ligadas entre si, algumas com endereços coincidentes ou suspeitas de utilização de laranjas, concentraram milhões de reais em contratos ao longo dos anos. Isso deveria acender um alerta imediato para qualquer órgão de fiscalização. Quando sempre os mesmos grupos aparecem recebendo recursos públicos, a transparência deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação.
O esquema mais grave é o das bandas pequenas menos em valores de 30 mil a 50 mil. Pagava apenas cerca de 200 reais por um cantor, somando todos menos de 1 mil reais, onde cantava pouquíssimos minutos, entre uma apresentação de bandas maiores, tirava fotos e filmava nesse breve momento de apresentação. Em síntese gastava em mil reais e recebia da SULFOTUR 30 mil. Não chamava atenção e a corrupção corria solta. Têm empresários que 50 bandinhas fantasmas
Alguns críticos afirmam que investigações desse tipo podem prejudicar a imagem da Bahia. Esse argumento inverte completamente a realidade. O que prejudica a imagem do estado não é a denúncia. O que prejudica a imagem da Bahia é a possibilidade de que recursos públicos tenham sido desviados enquanto escolas, hospitais e obras de infraestrutura enfrentam dificuldades.
A verdadeira defesa do turismo baiano passa pela honestidade. Nenhum destino turístico se fortalece com suspeitas de corrupção. Pelo contrário. Investidores, empresários e visitantes procuram ambientes onde exista segurança jurídica, transparência e responsabilidade na gestão pública.
A Bahia possui atrativos suficientes para liderar o turismo nacional sem depender de esquemas obscuros. O estado tem praias, história, gastronomia, cultura e um povo reconhecido mundialmente pela sua receptividade. O que falta não é dinheiro para festas. O que falta, muitas vezes, é garantir que cada centavo investido chegue ao seu verdadeiro destino.
Por isso, as investigações devem avançar até o fim. Se houver culpados, devem responder perante a Justiça. Se houver mais envolvidos, independentemente do cargo ou influência política, também devem ser responsabilizados. O combate à corrupção não é um obstáculo ao turismo. É justamente o caminho para que o turismo cresça de forma sustentável, transparente e em benefício de toda a população baiana.
Por Redação
