Se alguém dissesse há alguns anos que a Câmara de Teixeira de Freitas abriria uma CPI contra a gestão do prefeito Marcelo, provavelmente seria tratado com desconfiança. Afinal, o cenário político era de alinhamento quase absoluto, com pouca ou nenhuma resistência visível.
Mas os tempos mudaram. E rápido.
O que antes era parceria agora dá sinais de ruptura. Oito vereadores resolveram assumir um papel que, até então, parecia opcional: fiscalizar. E o motivo não é pequeno. A CPI mira uma série de questões, incluindo gastos de R$ 35,4 milhões com limpeza pública — um valor que supera, com folga, o orçamento anual da própria Câmara.
Os dados são impressionantes. Em um único quadrimestre, mais de R$ 11 milhões foram pagos a três empresas. No acumulado do ano, a cifra cresceu ainda mais, sem que houvesse uma justificativa convincente. O Tribunal de Contas reconheceu a inconsistência, mas preferiu não bater o martelo.
E é exatamente nesse vácuo que a CPI ganha força. Sem uma conclusão clara dos órgãos de controle, cabe aos vereadores investigar — ainda que tardiamente — o que de fato aconteceu.
Mas a investigação não para na limpeza urbana. Há também suspeitas envolvendo a gestão da saúde, especialmente contratos firmados com organizações sociais. Mais uma frente de questionamento que coloca pressão sobre o Executivo.
O tom, no entanto, é inevitavelmente irônico. Afinal, muitos dos que hoje pedem investigação faziam parte de um cenário de silêncio no passado. A mudança de postura levanta dúvidas, mas também reforça a importância do momento.
Porque, independentemente das motivações, o fato é que a fiscalização finalmente entrou em cena. E, ao que tudo indica, não pretende sair tão cedo.
Resta saber se as respostas virão na mesma velocidade das perguntas. Ou se, mais uma vez, tudo ficará para um “depois” que nunca chega.
Por Redação
